Publicado por: inwhitelight | 12 de Fevereiro de 2009

Gente que se acha melhor

Este post vem no seguimento de um publicado pela Salto Alto aqui.

A loja onde eu trabalho tem 85 funcionários, posso dizer que cerca de metade são licenciados. Eu sou licenciada, fui a melhor aluna no meu curso enquanto por lá andei. Poucos colegas de curso estão empregados e os que estão devem-no exclusivamente a cunhas ou estão sujeitos a condições de trabalho realmente muito más.

O mercado de trabalho não está mau, está péssimo. Depois de um ano a trabalhar (= ser explorada) na minha área cansei e fui para essa loja. Tenho contrato de trabalho, um ordenado bastante razoável para a função e tenho a vida estabilizada. Não estou realizada mas uma pessoa tem de viver e vergonha é roubar.

Acontece que há muita gente que quando vê alguém atrás de um balcão pensa logo: “Coitada, não tem capacidade para mais!” e mal sabem que quem o está a atender sabe muito mais do que ele, e nem falo por se ser licenciado ou não, há muito licenciado burro mas as pessoas não pensam nas capacidades que a pessoa pode ter independentemente de estar atrás de um balcão.

Um dia destes um Sr. Advogado que gosta de ser atendido que nem um rei ao pedir a factura perguntei-lhe qual era o concelho onde reside e ele respondeu-me “É no sítio X tal como aí está escrito!” e eu: “Olhe se aqui estivesse já escrito eu não lhe teria perguntado não?” e ele ficou muito pasmado a olhar para mim. Sim porque eu sou tão burrinha que nem sei ler…

E isto é um pequeníssimo exemplo, mas todos os dias cheios de pequeníssimos exemplos esgota a paciência a um Santo.

Em França uma caixa de supermercado, Anna Sam, escreveu um best-seller a contar as suas peripécias “Les Tribulations d’une Cassière” (“As Atribulações de Uma Caixa”, em tradução livre).

“Anna se lembra do dia em que ouviu uma mãe dizer ao filho: “Se você não estudar vai acabar trabalhando aí, atrás do balcão”, recorda.

“Isso é muito humilhante”, contou ela em uma entrevista à rádio Rennes, acrescentando ter se sentido muitas vezes como um “robô sorridente”.”

Há muitas Anna neste país…e eu sou uma delas.

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Responses

  1. ah ha! busted!
    welcome back!
    😛

  2. Obrigada pela referência! Eu passo-me com esse tipo de gente.. Idiotas!


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